Mais uma vez, venho a esta secretaria, expor as dificuldades observadas pelos alunos portadores de autismo da rede , especialmente meu filho Gabriel de Oliveira Brandão e sugerir adequações que viabilizem seu desenvolvimento integral, como preconizam as leis vigentes no País, no âmbito da educação.
Pensar em inclusão de pessoas portadoras de deficiência de modo geral, implica também em promover mudanças, afim de tornar acessível a esse grupo, saberes e vivencias que outrora lhes foram negados. Em se tratando de pessoas com autismo, isso implica em mudança, não só de postura, mas também de adaptação de currículo; de estrutura e organização do trabalho pedagógico; bem com de adequação do tempo e do espaço escolar.
É a escola quem deve se adaptar frente às necessidades do aluno e não o contrário, como tem sido a prática atualmente. Ficando esses alunos, à mercê da “boa “ vontade desta ou daquela equipe pedagógica e ou instituição de ensino(lembrando que, estes também possuem inúmeras limitações, que são do conhecimento de toda sociedade). Faz-se necessário e urgente, a construção de um trabalho em rede, funcionando de forma sistêmica e coerente, no discurso e na prática .
É importante salientar que, para se educar um autista é preciso também promover sua
integração social e, neste ponto, a escola é, sem dúvidas, o primeiro passo para que aconteça
esta integração, sendo possível por meio dela a aquisição de conceitos importantes para o
curso da vida.
Nesse aspecto,ressalto os avanços que esta secretaria, através de seus muitos e anônimos atores, tem feito. Entretanto, é preciso possibilitar a esses alunos, desenvolverem todo seu potencial. E não é possível, promover esse desenvolvimento, sem antes promover a adequação da rede como um todo. O que não foi feito, até os dias atuais. A estrutura organizacional da escola, permanece EXATAMENTE a mesma! Desde a organização do espaço e do tempo, passando pela organização curricular, pela distribuição dos alunos em sala até o sistema de avaliação. Nada foi ADAPTADO!
Boa vontade e esforço pessoal, é sem dúvida muito importante, mas a mudança estrutural e de forma sistêmica, é fundamental, para que a inclusão saia do discurso e passe a ser uma realidade .
Para pessoas com autismo e deficiência mental, a ACESSIBILIDADE não está nos suportes externos, mas sim na mudança da posição passiva e mecânica, diante da aprendizagem. A obtenção disso, perpassa pela adequação de métodos e procedimentos de ensino e das atitudes dos educadores (especialmente), frente à esse indivíduo. Consequentemente, isso exige, não só a mudança no programa educacional, bem como na organização do tempo e do espaço, onde ele será executado.
Segundo Cool et al ( 1995), as crianças ( e ouso estender isso a PESSOAS COM AUTISMO de modo geral) autistas têm maior aproveitamento, quando são educadas em grupos pequenos. Isso possibilita um planejamento individualizado e organizado, por parte do professor e um ambiente menos complexo e dispersivo, para o aluno. Os autistas requerem ambientes educacionais estruturados e adequados às
suas necessidades.
[...] 1) em primeiro lugar, refere-se à necessidade de que o ambiente não seja, excessivamente, complexo, senão, pelo contrário, relativamente simples. As crianças autistas têm um maior aproveitamento, quando são educadas em grupos pequenos [...], que possibilitem um planejamento bastante personalizado dos objetivos e procedimentos educacionais em um contexto de relações simples e, em grande parte, bilaterais;
2) em segundo lugar, o ambiente deve facilitar a percepção e compreensão, por parte da criança, de relações contingentes entre suas próprias condutas e as contingências do meio[...]; 3) além disso, o educador deve manter uma conduta educadora[...] estabelecendo, de forma clara e explícita, seus objetivos, procedimentos, métodos de registro, etc. (COOL et al , 1995, p. 286).
Nesse enfoque, a estruturação da atividade educacional envolve a determinação de um
programa especial que estabeleça uma seqüência lógica de conteúdos e de procedimentos a
serem estabelecidos para se alcançar os objetivos.
A maioria das pessoas com autismo, não aprendem naturalmente em ambientes
normais, no entanto, sob orientações e instruções apropriadas, a maioria deles podem aprender uma grande variedade de conteúdos. Entretanto, a insistência da rede, em manter a educação de autistas, apenas na perspectiva construtivista, desprezando a utilização de métodos de eficácia mundialmente comprovada, tem condenado nossos alunos a limitações para além das limitações de sua deficiência.
Pensando nisso, apresento para analise, alguns eixos , baseados em estudos ( feitos ao longo de 10 anos, como autodidata e como estudante de Pedagogia); Em observações como ex estagiária da rede ( com aluno autista); Como membro e voluntária da AMA MG ( ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO AUTISTA DE MG), o que tem me permitido contato com pais e alunos portadores do TEA( Transtorno do Espectro Autista) e como mãe e educadora de um aluno, portador deste transtorno.
of Autistic and related Communication Handcapped Children –TEACCH). Um dos métodos mais utilizados mundialmente, tanto no âmbito terápeutico, como no EDUCACIONAL ( essa “mistura”, pode ter como causa principal o fato de até recentemente, o atendimento a esses indivíduos serem feitos em escolas especiais. Dificultando a separação entre terapêutico e pedagógico). Ou outro, desde que já comprovadamente eficaz na educação de autistas.
2- Redução do número de alunos, nas salas onde houver alunos autistas e com deficiência mental. Isto permitirá aos professores, uma melhor organização, adaptação e execução do trabalho pedagógico, ESSENCIAL ao desenvolvimento do aluno com autismo e ou deficiência mental.
3- Formação de uma equipe intersetorial ( saúde, educação e assistência social), que trabalhe de forma sistêmica no acompanhamento dos alunos portadores de necessidades especiais e suas famílias. Com relatórios semestrais desses acompanhamentos, de forma individual.
4- Adaptação curricular, no modelo dos PCNs ( Parâmetros curriculares nacionais) de acordo com as NECESISDADES ESPECÍFICAS DOS AUTISTAS.
OBS: Essa adaptação, obrigatoriamente, deve ter :
Clareza e organização do material (seqüência lógica de conteúdos e de procedimentos);
Apoio de material concreto, nas atividades ( especialmente aquelas que exijam compreensão, abstração e assimilação de conceitos);
Estímulo psicomotor, durante todo o período da educação básica . Já está mais do que provado, que pessoas com necessidades especiais,necessitam de maior estímulo para aquisição e desenvolvimento das habilidades necessárias, para desenvolvimento da aprendizagem da leitura e da escrita. Nesse aspecto, a interrupção dos estímulos psicomotores, a partir da educação infantil, acarreta grandes perdas, para indivíduos com autismo e deficiência mental, especialmente. Faz-se necessário então, a continuidade de atividades estimuladoras, focadas na aquisição e desenvolvimento dessas habilidades, enquanto se fizer necessário. Incluindo também, os alunos adolescentes e adultos que apresentem tal necessidade;
Construção e execução de um trabalho pedagógico, entre o professor de educação física e os demais professores, com o objetivo de desenvolver e ou adquirir, as habilidades necessárias para a aprendizagem ( INDEPENDENTE DO CICLO E DA IDADE DO ALUNO), tais como, lateralidade, noção espacial e esquema corporal, etc.
5- Trabalho de conscientização de toda comunidade escolar , das necessidades específicas dos alunos ali inseridos, bem como a devida orientação de como auxiliá-los no dia a dia da escola.
Obs: Este trabalho deve acontecer preferencialmente, através de palestras, exibição de filmes, cartilhas e discursões entre todos TODOS os atores da comunidade escolar; De forma permanente, orientada e supervisionada pela equipe de INCLUSÃO, acompanhada dos respectivos RELATÓRIOS E REGISTROS, .
Isto posto, solicito o recebimento, análise e apreciação de minhas sugestões, para a política de inclusão da Rede Municipal de Belo Horizonte e REQUEIRO, nesta oportunidade, a viabilização de acesso urgente a meu filho, Gabriel de Oliveira Brandão, aos métodos de aprendizagem, que possibilite a continuidade de seu desenvolvimento integral, especialmente no âmbito acadêmico. Uma vez que ele, já está na rede há 7 anos, a espera desse atendimento ESPECIALIZADO de acordo com suas NECESSIDADES, o que até o presente momento, NÃO foi oferecido. Sendo este pedido, o acesso imediato a tais métodos , procedimentos e adaptações acima citados.
Peço nesta oportunidade, uma resposta formal desta secretaria, a minha solicitação.
Anexo, o comprovante de associado da AMA, bem como autorização da presidência, para falar em nome da associação.
Belo Horizonte, 04 de Julho de 2011
Maria do Carmo de Oliveira Brandão
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