Sempre sou questionada, pelo fato de "ser alegre"; De "não chorar"; De "ser conformada com a situação de meu filho"; "de não me incomodar", o fato de ele, dormir demais e faltar muito a escola ( desde que passou a estudar pela manhã), Por eu ter uma cardiopatia grave, que as vezes me dificulta inclusive lavar os cabelos, cuidar de mim, mas ainda assim, eu levar meu filho a alguns atendimentos, aos quais ele ainda consegue ter acesso e lá, aproveitar para disseminar informações, discutir ideias de como podemos melhorar as perspectivas de nossos filhos, ao invés de ficar quietinha ou lamentar pelo meu "trágico destino"...
Me questionam ao vivo, in box, via skype...Em meio a olhares de admiração, reprovação e até inveja, deparo sempre com uma pergunta clássica : VOCÊ AS VEZES CHORA?!
RESPOSTA:
Choro sempre.
Várias vezes ao dia e a noite, enquanto o mundo dorme...
Choro, quando vejo que quanto mais meu filho cresce, menos acesso ele tem a educação, saúde, lazer..
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Choro, quando lembro que apesar de ainda jovem ( 43a), tenho a saúde muito frágil e ainda não consegui comprar uma casa, para garantir moradia para meu filho;
Choro, quando lembro que ele só tem a mim e ao irmão e com a minha baixa expectativa de vida, tenho que ter muita pressa em tudo, mas que minhas limitações, não me permitem apressar nada...
Sim, choro muito. Não pela condição do meu filho, mas pelas minhas, de ainda não ter dado a ele, a garantia mínima de dignidade, em minha ausência....
Mas também choro, quando deparo com pessoas, que só conseguem nos enxergar, quando nossa desgraça, de alguma forma atrapalha a vida delas ou lhes dão a oportunidade, de mostrar ao mundo, quão bons cristãos / cidadãos são.
Quando nosso sofrimento / dificuldades, não inibem nosso sorriso, nossa alegria de viver e nossa luta, passamos a incomodar e até a ser "rejeitados", por tamanho atrevimento...
Ah, choro! Choro muito sim, mas não aprendi a chorar em público. Ainda prefiro sorrisos.
E vc aí, "as vezes chora"?
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